A cultura é o caminho

""A cultura – a cima de tudo – é uma arma de libertação." (Januário Garcia)

Cultura, religão e cooperação entre os vizinhos são as constantes que permitem a sobrevivêncîa numa sociedade violenta e de exclusão. Como exemplo, tem o projeto Nika Jaina, salão de beleza afro com curso de cabelereiro – afro no Morro do Salgueiro, um projeto co-financiado pela fundação de capacitação solidária.
Num diálogo fictício entre Dona Ivete, Mãe de Santo da Umbanda de Angola e diretora do projeta Nika Jaina, e Januário Garcia Filho, fotógrafo, e – na época – diretor do centro cultural José Bonifácio – são discutidas historia Brasileira, questões da cultura, diferenças sociais, exclusão e também racismo.
O documentário permite participar da vida quotidiana do Salgueiro. Da vida das mulheres, crianças, famílias. Sem romantizar ou chocar com imagens de pobreza ou de violência, entramos na perspetiva dos moradores: como organizar uma vida com  dignidade, com trabalho e uma casa decente – viver normal, sem violêncìa.
Os espectadores tem a oportunidade participar dos preparativos do carnaval, da procissão de São Sebastião, de entrar na casa de Angola de Dona Ivete como também, nas discussões do salão de beleza na hora do trabalho e da comida etc…
O documentário começa com um ensaio do bloco carnavalesco “RaÍzes de Tijuca” nas ruas do Rio, e nos leva até o Morro do Salgueiro, de onde vem os sambistas.
Lá, Dona Ivete  - neta de uma das primeiras moradoras do Salgueiro, Dona Eusébia - apresenta o seu projeto: o salão de beleza afro Nika Jaina – e as raízes do projeto: a Filosofia da Umbanda. É ela que nos acompanha no Morro, nos apresenta à algumas moradoras e às suas colegas ativas no desenvolvimento social da comunidade, nos introduz na Associação dos moradores e nos apresenta a “banda do Salgueiro”… As meninas, estudantes do Salão de Beleza falam sobre a impossibilidade de fazer um trabalho regular, os diretores do bloco de samba explicam o valor do samba para a comunidade.
O comentário de Januário Garcia permite uma reflexão mais inteletual sobre a estrutura social do Brasil, faz entender a relação  da abolição da escravidão e a exclusão social dos afro-brasileiros…
O trabalho cultural é visto como uma possibilidade de sair da espiral de analfabetismo, pobreza, violência e tráfíco…
Graças a Dona Ivete e Januário Garcia, uma audiênçia international pode entender que favela não é só violência, mas que é um problema estrutural a ser resolvido pela sociedade.

Os protagonistas – e sobre tudo Dona Ivete – são pessoas impressionantes – a trilha sonora de Célia Mara vem ilustrar com muito groove e poesia a temática.

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